sábado, 27 de outubro de 2012



Era sexta à noite, chovera muito naquela tarde e o cheiro de terra molhada exalava por todos os cantos da faculdade. Perdida em seus pensamentos, Sofie só desejava poder chegar em casa, tomar um banho demorado e finalmente relaxar.
Tinha sido uma semana difícil, e as horas pareciam castigá-la, prolongando-se a passar.

Diferente de outros dias, atravessou a rua correndo, tomando cuidado para não cair devido à rua estar escorregadia por causa da chuva e encontrou toda sua família no carro à esperando. Olhou na expressão preocupada que sua mãe fazia e logo suas pernas pareceram perder a força.  Sabia que havia algo de errado. 
Fitou então seu pai, com a cabeça encostada no volante e logo percebeu que o mesmo não estava bem.

Seu pai sempre tivera problemas de pressão, mas fazia algum tempo que o mesmo estava controlando bem sua saúde. As últimas semanas haviam colocado o mundo deles de cabeça pra baixo, e Sofie sabia que não havia como escapar daquela situação.

Tomando o controle sobre si, obrigou seu pai sair do volante e tomar a posição do carona. Sua mãe e seu irmão a olhavam apreensivos no banco de trás; Já fazia tantos meses que ela dirigia que não sabiam ao certo se ela seria capaz.
Controlou sua respiração e se ajeitou rapidamente no banco do motorista. Ligou o pisca e encontrou na fila que esperava o sinal abrir.
Não sentiu medo e suas pernas não tremeram. Dirigiu atentamente pela BR e podia sentir os olhos da mãe sobre ela; Estava tomando 110% de cuidado para que nada saísse fora do planejado. Sabia que precisava provar aquilo para sua família e para si mesma.
Quando finalmente estacionou na garagem, repetiu a cena do pai, encostando a cabeça no volante, sorrindo diante da situação.
Ela havia sido tão corajosa, confiante, atenta; Tinha tomado o controle da situação e fez o que deveria ser feito.

Sentiu orgulho de si mesma.
Nenhuma palavra foi dita, mas ela sabia que todos sentiam orgulho dela também.

Tomou seu banho relaxante, e deitou, quase não acreditando em tudo que acontecerá.
Minutos depois, sua mãe entrou no quarto trazendo consigo duas xícaras de café e um sorriso largo no rosto. As duas conversaram durante horas naquela noite.
Confessaram uma à outra seus anseios, medos, tristezas, esperanças e felicidade.
 Sua mãe havia se tornado sua ouvinte fiel e sempre lhe apoiara em todos os momentos.

Antes de pegar no sono, Sofie sorriu verdadeiramente, agradecendo pela família maravilhosa que tinha.
Agradecendo por coisas boas assim acontecerem para relembrá-la que ainda podia conquistar o impossível.

Porque o impossível, só depende de nós mesmos!!

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