quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mensageiro



Curitiba, 29 de agosto de 2012.

Passavam de 8h30 da manhã e caminhei com a certeza que era a penúltima vez que faria aquele trajeto.
Haviam se passado longos 14 meses e tudo parecia exatamente igual à primeira vez que andei por aquela rua. Mas eu havia mudado muito, e sabia disso.
Meus tênis continuavam os mesmos, meu cabelo ainda era da mesma cor, não engordei, muito menos emagreci. Tudo continuava aparentemente igual, mas por dentro houve grandes transformações, e eu certamente estava diferente.

 Caminhei por entre aquelas quadras apreensiva, não sabendo ao certo como reagir diante daquele estranho conhecido, que havia se tornado parte de minha rotina há algum tempo.
As lembranças me bateram em cheio e me vi passando por aquele homem há uns 5 meses atrás; Lembro-me que era um dia frio e que ventava muito. Eu havia colocado o mais quente dos meus casacos e apressei o passo para chegar no escritório o mais rápido possível.
Lembro que passei por ele e o sorriso apareceu instantaneamente em sua face, ele então acenou com a cabeça e me desejou um bom dia; Achei aquilo estranho, pois as pessoas daquele lugar não costumavam ser tão simpáticas assim. Acenei então com a cabeça de volta, sorri e continuei minha caminhada.
Depois daquele dia, todas as manhãs, não importava como estivesse o tempo ou o que estivesse fazendo, aquele estranho sempre me olha com ternura, lançava-me um sorriso sincero e me desejava um bom dia.

Sentiria falta daquilo, conclui.

Então o avistei na quadra seguinte, segurando a mesma vassoura de todos os dias e vestindo o mesmo uniforme de todas as manhãs, mas aquele seria um dia diferente – para nós dois.
Atravessei a quadra e me aproximei, meus olhos se encontraram com o dele e o sorriso apareceu em seu rosto. Estendi a mão com firmeza e me apresentei, contando-lhe que trabalhava a poucas quadras dali e que aquele era meu penúltimo dia de trabalho. Agradeci por todas as manhãs ter me desejado um bom dia, por todos os sorrisos e olhares sinceros que enchiam meu coração de esperança e felicidade, e que com certeza faziam toda diferença em meus dias.
Depois que terminei meu breve discurso, o encarei e percebi seus olhos marejados. Valdivino, como descobri que se chamava, me agradeceu por tê-lo enxergado todas aquelas manhãs, agradeceu pelos sorrisos e por sempre olhar em seus olhos... Disse-me que aquilo o havia levado a não desistir de tudo em vários momentos.
Contou-me que era de uma determinada religião e que havia tido uma semana difícil... De seus olhos caíram lágrimas. Senti minha garganta fechar e meus olhos encheram-se de lágrimas também.
Por fim, aquele estranho olhou-me e disse: Carol, todas as manhãs quando você passava aqui e te desejava um bom dia, sabia no mais profundo do meu coração que você era uma moça abençoada por Deus. Tenho certeza que os caminhos do Senhor na sua vida são lindos e desejo do fundo do meu coração que todos os seus sonhos se realizem. Você é uma moça especial, escolhida por Deus nesta terra. Atente-se a atender a vontade do pai e em tudo Ele lhe abençoará.
Agradeci de todo meu coração pelas palavras e desejei-lhe uma bela vida.

Enquanto terminava o trajeto até o escritório, as lágrimas insistiram em cair dos meus olhos e tive a certeza que ele fora um mensageiro para me falar tudo aquilo.

E foi assim que, vinte e nove de outubro do ano de dois mil e doze ficou marcado na minha vida, porque Deus usou-se e um gari para falar comigo e me restaurar a fé. Foi o dia que tive a certeza que por onde quer que eu andasse Deus enviaria um anjo mensageiro pra me cuidar e guardar em todos os meus dias/caminhos, e que não importava as dificuldades que me fossem impostas, Deus sempre e sempre estaria ao meu lado.

Aquele com certeza foi um bom dia, e certamente guardarei a imagem daquele mensageiro comigo pelo resto da minha vida.

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