sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Segredos



Sofie não era em nada especial.
Não era notada no meio da multidão.
Não era bonita e nem possuía muita vaidade. Não gostava de roupas e/ou cores escandalosas e não era nem de longe a aluna mais inteligente de sua turma.
Sofie sabia que não mudaria o mundo.  Que não descobriria a cura pro câncer e nem revolucionaria o mundo da tecnologia; Sabia que não seria consagrada uma grande esportista e ao menos receberia um prêmio de moradora menos vista pelas ruas de seu bairro.

Mas havia algo que Sofie fazia que mudava o coração das pessoas.
Das pessoas e o seu próprio.

Ela se sentava na banqueta do órgão, colocava suas mãos sobre o teclado e tocava com todo seu coração e alma. Abria sua boca e as palavras que dela saíam consolavam, prometiam, ajudavam;
Palavras que possuem maior peso do que qualquer palavra já escrita em qualquer outro lugar desse mundo.
Por vezes, quando tarde da noite ela aproveitava o silêncio para preenchê-lo com sua música, podia sentir que anjos se aglomeravam por todos os cantos de sua sala. Poderia até imaginar os céus parando para ouvi-la louvando.
Podia sentir que havia um anjo amigo ao seu lado, coletando suas lágrimas, a abraçando, consolando e lhe transmitindo forças.

Sofie sabia que aquilo fazia diferença na vida das pessoas.
Podia sentir que por vezes, quando tocava na igreja e alguém a olhava com ternura em determinado hino, eram aquelas palavras que aquele coração havia buscado e através de seu dom ela havia ajudado uma alma, um coração.

Sabia que essa era sua diferença no mundo. Sabia que esse era seu dom.
Sabia que aquilo sempre e sempre poderia fazê-la ficar bem.

E aquele era seu segredo.

Um segredo relevado ao mundo.
Porém, um segredo que só ela conseguiria realmente entender, sentir.
Um segredo presenteado a ela.
Sabia que de alguma forma aquilo faria diferença em todos os dias de sua vida.
Por mais chata e pacata que ela parecesse.

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